Programa Casé

“A Rádio Phillips do Brasil, PRAX, vai começar a irradiar o Programa Casé”

Progr.Casé_dedicatória Foi com essa frase que o diretor da Rádio Phillips, Dr. Augusto Vitoriano Borges, batizou o programa que Ademar estreava e que até então não tinha nome, detalhe que foi corrigido no ar com o improvisado “Programa Casé”, nascia então o programa que mudaria para sempre a história do rádio brasileiro. Clique aqui para ouvir o Jingle de abertura do Programa do Casé.

Era o primeiro domingo após o carnaval, dia 14 de fevereiro de 1932, oito horas da noite. Casé havia alugado o horário das oito até meia noite, por 60 mil reis por programa.

Para conseguir realizar um programa dinâmico, inovador e principalmente com audiência, Casé precisava de alguém que conhecesse os famosos artistas da época. O contratado foi Sílvio Salema que além de ser um conhecido cantor da época era parente de Graziela, esposa de Ademar.

Marilia Batista e Casé O primeiro programa já foi realizado com grandes nomes, entre eles, Sílvio Salema, Nonô, Luís Barbosa, Mário de Azevedo, João Petra de Barros. A Orquestra de Cordas, com a regência do maestro Romeu Ghipsmann e outros conjuntos embalaram a estréia de Casé, que foi considerada um sucesso.

No seu início o programa era dividido em dois horários, o primeiro destinava-se a música popular e o outro a música erudita. Com apenas um programa algo ficou evidente, a música popular era muito mais ouvida, os telefones não paravam de tocar durante as apresentações dos grandes nomes da época. Casé precisava de audiência e se viu obrigado a retirar a parte erudita, dedicando-se apenas a música popular.

Antônio Nássara e Cristóvão Alencar passaram a fazer parte da equipe de Casé. Os programas foram ficando cada vez melhores, nos moldes da BBC de Londres e da norte-americana NBC. Ademar Introduziu um dinamismo jamais visto nos programas de rádio no Brasil, era o fim do amadorismo e o início de programas bem produzidos e sem brechas.

Noel Rosa no Casé Era de costume no Brasil abandonar o ouvinte, enquanto se afinava um instrumento ou se resolvia algo. O microfone era sempre desligado nesses intervalos. Casé era um assíduo ouvinte das rádios americanas nas quais, independente do que acontecesse a música não parava, o ouvinte deixava-se envolver por um ritmo sincronizado que parecia não ter fim. Desse modo, Casé introduziu o BG, (Background), uma música de fundo durante os intervalos entre as apresentações do Programa, recurso absolutamente imprescindível nos dias atuais.

Não podia ser diferente, o Programa Casé com pouco tempo de existência era o mais ouvido do Rio de Janeiro. Era no microfone de Casé que passavam os maiores artistas da época. Cantar no Casé era motivo de orgulho para todos, principalmente para aqueles que estavam iniciando suas carreiras.

Foi Ademar o primeiro profissional de rádio a valorizar os artistas, o respeito não se dava apenas na sua forma de saber conduzir e reunir suas estrelas, mas, sobretudo com relação aos bons cachês que eram pagos a todos que passassem pelo Programa, o que resultava em audiência e conseqüentemente em anunciantes.

Cantar no Casé era ser exclusivo do Programa, o que consistia em ter o compromisso de passar domingos inteiros no estúdio, esperando a hora de sua apresentação. Era necessário que todos permanecessem na emissora, afinal a qualquer momento poderiam ser chamados ao microfone. Microfone que por sinal era um terror para Ademar que o admirava a distância. Casé nunca gostou de falar em microfones.

Cast de Casé Era o começo da popularização do rádio que durante muito tempo serviu como símbolo de status, tocando apenas óperas e músicas clássicas. A população se identificava com os astros e com as populares canções que eram tocadas no Programa do Casé. O teatro e o humor foram também dois grandes trunfos nas programações de Ademar.

Entre as dezenas de estrelas que participavam do Casé poderíamos citar, Francisco Alves, Noel Rosa, Aurora e Carmen Miranda, Orlando Silva, Zezé Fonseca, Sílvio Caldas, Marília Batista, Pixinguinha entre outros. Uma das artistas mais queridas de Ademar era A “Pequena Notável”, Carmen Miranda. Antes de entrar para o rádio Casé já era fã da cantora, que fazia parte do grupo de “estrelas” do seu programa.

Se até então Ademar havia revolucionado o rádio no país, foi na publicidade que Casé fez história, com uma equipe fantástica de redatores da qual participaram Cristovão Alencar, Paulo Roberto, Henrique Pongetti, Orestes Barbosa, Luiz Peixoto e Nássara. Foi Nássara que compôs para um cliente do Casé, o jingle da Padaria Bragança, primeiro da publicidade brasileira.

Casé contava ainda com o trabalho excepcional de Almirante, dotado de uma polivalência pouco vista, ele era o “braço direito de Casé”. Dono de um grande espirito empresarial, cuidava do setor financeiro, era speaker e também era um grande humorista e contava piadas no programa.

O programa Casé foi a verdadeira escola intinerante de rádio no país. Da rádio Phillips o programa transferiu-se para a Sociedade do Rio de Janeiro, em seguida ingressou na Rádio Transmissora PRE-3, que foi vendida para o Grupo do jornal O Globo, depois de uma breve passagem pela Rádio Cajuti, Casé foi para a Rádio Mayrink Veiga PR9-E, onde permaneceu durante sete anos, da Mayrink passou-se para a Rádio Globo, chegando finalmente na PRG-3, Rádio Tupi do Rio de Janeiro.

Foi na Mayrink Veiga que o Programa Casé, tornou-se ainda mais marcante com uma exploração ainda maior do humor e da teatralização com as radionovelas. Uma grande paixão de Ademar, que no inicio não obteve boas respostas do público foi a música clássica, mas a insistência e a criatividade de Casé foram responsáveis pela popularização do Clássico. O programa “Teatro Imaginário” transmitia para os ouvintes óperas inteiras, dando a impressão de que era ao vivo, diretamente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Noite de Gala O rádio vivia o seu apogeu, os cantores de rádio recebiam da imprensa e do público da época um tratamento de grandes estrelas. O programa do Casé era a melhor e a mais popular diversão radiofônica dessa época. Jingles, reclames, e anúncios fantásticos e criativos marcaram o Casé. Famosas radionovelas, excelentes humoristas e cantores eram os atrativos desse programa que atravessou quase duas décadas se superando.

Casé está na Rádio Tupi quando a Televisão chega ao país. Era 1951 quando o Programa Casé encerra sua história, mas Casé já estava se preparando para outras inovações. Montou uma agência de propaganda e foi trabalhar na TV, onde produziu vários programas entre eles, Convite à Música, Show Cássio Muniz, Show Regina, Tele-Semana, Petit Ballet. Mas foi o Programa Noite de Gala que imprimiu o ritmo da televisão que temos hoje, a melhor produção de TV de Ademar, que novamente tinha uma grande equipe ao seu lado, Carlos Thiré, Sérgio Provenzano, Sérgio Porto e ainda o seu filho Geraldo Casé.

Em 1960, após sofrer um enfarte, Casé abandona os meios de comunicação, por recomendações médicas, o que não o impediu de abrir outra Agência de Publicidade, Agência Casé, que foi entregue anos depois ao seu filho Maurício Casé.

No dia 07 de abril de 1993, aos 90 anos de idade, a história do rádio e da TV, perde Ademar Casé um dos seus mais importantes e inovadores personagens.




Extraído do Site Ademar Casé - A Inovação do Rádio

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