Rádio Mundial AM 860 RJ

A Rádio Mundial surgiu com este nome por volta de 1954, por ocasião do fechamento do Rádio Clube do Brasil, a primeira emissora do país a transmitir uma Copa do Mundo, em 1938. É interessante notar que o correto era dizer O Rádio Clube o Brasil e não A Rádio Clube...
Por motivos financeiros e políticos, Getúlio Vargas fechou a emissora pioneira. Uma campanha de intelectuais e radialistas reivindicou a volta da estação, mas esta retornou com nova direção, agora nas mãos das Organizações Vitor Costa.
Outro dia, encontrei, numa antiga fita de rolo dos arquivos da Rádio Rio de Janeiro, um trecho de uma transmissão esportiva de um jogo Vasco x Olaria - sem data - na narração de Raul Longras, em que ele dizia "Rádio Mundial - uma emissora das Organizações Vitor Costa". No time do Vasco, segundo a narração, jogavam Ademir, Barbosa e outros craques. Mas, na fita, não há lance de gol.
Por essa época, a Rádio Mundial também alugava horários. Entre os arrendatários estava Geraldo de Aquino, pioneiro do espiritismo no rádio, fundador da Rádio Rio de Janeiro, razão pela qual a fita se encontrava perdida lá.
Por volta de 1959 e 1960, uma campanha entre os espíritas - esses enganados mais tarde - e os membros da LBV, fez com que Alziro Zarur comprasse a Mundial. Os espíritas se cotizaram para ajudar - até financeiramente - as famílias dos funcionários da emissora. Depois, a história conta que Zarur cancelou os programas dos espíritas sem aviso prévio e não lhes devolveu os meses de aluguel que pagaram adiantado. Essa foi uma das razões para a posterior aquisição, em 1971, da Rádio Rio de Janeiro. Por que os espíritas e o pessoal da LBV não se cruzam muito?
Anos mais tarde, por volta de 1968/69, Zarur não agüentou o encargo e vendeu a Rádio Mundial ao Sistema Globo.

Escrito em 20 de dezembro de 2002 por Fabiano Henrique (Niterói-RJ)

A melhor fase da Mundial AM
Nos anos 60 e 70, a Mundial era uma das várias AMs cariocas que tinham uma programação predominantemente musical. Nesta época, não havia nenhuma FM legalizada. As FMs foram legalizadas pelos governos militares a partir da virada dos anos 60 para 70, com o objetivo de minar o prestígio das AMs. Estas, na medida do possível, davam espaço para a oposição e a contestação aos governos ditatoriais e a seus patrocinadores.
De qualquer forma, esta concorrência desleal de algumas FMs sobre as AMs permanece até hoje, conforme lemos na página Preserve o Rádio AM.
O Sistema Globo passou a investir pesado na Mundial AM. A virada veio com a chegada do radialista e DJ Big Boy, que assumiu a direção geral da rádio. Big Boy implantou uma programação pop extremamente inteligente e ágil. Uma programação que não deixava de tocar bons nomes da música popular. Por isso, é impossível falar da Mundial AM e do rádio do Rio dos anos 70 sem falar de Big Boy, um dos melhores radialistas da história.
O próprio Big Boy apresentou alguns dos melhores e bem-sucedidos programas da Mundial. Neles, ele aproveitava sua experiência como DJ no Rio de Janeiro.
Nos bailes "da pesada" promovidos em diversos lugares da cidade, como o Canecão e clubes do subúrbio, Big Boy apresentava as principais novidades da música pop. Nos anos 70, ele ajudou na explosão da black music e do funk original, muito superior ao insosso funk carioca surgido nos anos 80 e 90.
Nos seus programas na Mundial, Big Boy apresentava as mesmas músicas que ele mostrava nos bailes, e ainda fazia mixagens ao vivo, no ar. Sua locução era extremamente original. Um pequeno trecho da locução de Big Boy pode ser conferido na música "Mister DJ", da artista Fernanda Abreu.
Big Boy também gostava de rock. No dia da morte de Jimi Hendrix, o radialista chorou no ar, no horário do seu programa, enquanto fazia homenagens ao guitarrista. Enquanto isso, nas rádios reacionárias, Jimi Hendrix era tratado apenas como um "preto drogado".
Big Boy também apresentava aos sábados um programa dedicado aos Beatles, o Cavern Club.
Seu longo conhecimento de rock permitiu a Big Boy montar a Eldo Pop FM, em 98,1, sem deixar a direção da Mundial.
Como a Mundial tinha ouvintes em vários estados, a programação da Mundial AM virou referência para diversas AMs e FMs de todo o Brasil. No Rio, todas as boas FMs de qualidade que surgiram, desde os anos 70 até hoje, devem ao pioneirismo da equipe da Mundial AM. Até outras rádios AM copiavam o modelo da Mundial, a começar pela Excelsior AM 780 de São Paulo, que também era do Sistema Globo.
Alguns programas desta fase da Mundial: Agente Oito Meia Zero, Ritmos de Boate, Show dos Bairros, Toca Toca Mundial, Good Night Mundial e Som dos Bailes.
A morte prematura de Big Boy, entre 1976 e 1977, foi uma das maiores tragédias da história do rádio. Até hoje, há quem diga que, se Big Boy estivesse vivo, seria hoje o diretor geral de todo o Sistema Globo de Rádio. Ou, se tivesse ido para a TV Globo, seria o gerente artístico daquela emissora, tendo poder de decisão sobre tudo o que dissesse respeito a música lá. Desde a escalação dos artistas para os programas até as trilhas sonoras. Em conseqüência, influiria também nos CDs de trilha sonora da Som Livre. A história do rádio e da TV brasileira teria sido melhor.
A partir da morte de Big Boy, a Mundial começou sua lenta agonia, também por conta do surgimento das FMs. Logo de cara, em 1977, teve que encarar a concorrência da recém-criada Cidade FM.
Já na virada dos anos 70 para os 80, a Mundial tinha se tornado uma rádio cheia de sucessos populares, substituindo a linguagem pop. Tudo para tentar levantar a audiência novamente. Mas as vinhetas pop não foram trocadas. Esta situação durou até o fim da emissora.
A Mundial AM 860 foi extinta pelo Sistema Globo em 1992. A CBN, que havia sido criada experimentalmente na freqüência AM 1180, foi transferida para os 860 kHz, onde está até hoje.

Escrito em 1º de janeiro de 2003 e atualizado em 1º de setembro de 2007 Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro

Caro amigo, sou carioca e tenho 43 anos. Entre os anos de 1974 e 1980, eu ainda morava no bairro de Vicente de Carvalho, na cidade do Rio de Janeiro, e fui assíduo ouvinte da Rádio Mundial AM 860 em minha adolescência. Tenho muita saudade de suas programações. Foi por elas que aprendi a gostar de músicas, principalmente das norte-americanas. Ouvíamos rock, funk, soul, disco, românticas e outros estilos, sempre cantadas por maravilhosos intérpretes, como Elton John, Donna Summer, John Travolta, Billy Paul, Sylvester, Glória Gaynor, Jackson Five, BTO, Steve Miller Band, Left Side, Alice Cooper, Paul Denver, e muitos outros.
Realmente, durante todo o dia, a programação era espetacular. À noite então, eu não perdia o "Ritmos de Boate". Havia sempre novidades. No dia seguinte, lá estava eu correndo as lojas de disco à procura da tal música. Lembro-me de como eu fiquei doido procurando pela "Mamma Mia" de Left Side. Demorou um pouco, mas a encontrei numa loja lá no Méier. Era um rock que logo depois passou a tocar num baile que eu costumava ir no clube Florença, no bairro de Vila Kosmos, subúrbio do Rio de Janeiro. Todo domingo a equipe de som "Vibrasom" estava lá. Num domingo à tarde fui, de curioso, ao clube ver o pessoal da equipe montar a aparelhagem para o baile noturno e tive o prazer de aproximar-me do DJ da equipe, o Tony. Querendo puxar conversa com ele, disse que eu adorava uma certa música que ele punha sempre para tocar, a qual não recordava-me o nome, mas que era interpretada por John Travolta. Era uma música lenta, romântica a qual eu havia ouvido pela primeira e única vez na Rádio Mundial, numa apresentação do radialista Antonio Carlos Bianchini, intitulando-a como "Exclusiva, trazida por Big Boy". De imediato ele tirou de entre seus discos um compacto simples, no qual estava escrito "cortesia", e falou-me: "Tome, fique para você. Eu tenho outro". Cara, aquele foi um momento e tanto para mim. Eu tinha uns 17 anos, acredito. A música era "Let Her In", uma das que considero como ouvir a Rádio Mundial.
Pena que a tenham tirado do ar. Sinto muitas saudades de tudo o que ela apresentava. Suas músicas, seus programas e seus radialistas. Será que não há como pô-la novamente no ar, tocando os mesmos sucessos daquela época com os mesmos programas?
De lá pra cá, na minha opinião, a qualidade das músicas, como em muitas outras coisas, caiu. Será que com aquele estilo de programação, não se conseguiria fazer com que os jovens dessem mais atenção a um estilo romântico? Ou a um Dance, mais voltado para o estilo Disco, ou um rock, tipo Alice Cooper, Slide, Nazareth, Kiss, BTO, ao invés desses hip-hop, axé-music, pagode pós SPC do Alexandre Pires, Rap e Eguinha Pocotó?
Bem, espero ter colaborado, e quem sabe estas minhas informações possam fazer parte do seu site, a fim de enriquecer o conhecimento, não só de tantos outros saudosistas como eu, mas também de muitos jovens de hoje, que pensam que ouvem músicas bonitas.

Um grande abraço,

Carlos Catharino (Macaé-RJ) 3 Nov 2003 01:41


Fonte: Tributo ao Rádio do Rio de Janeiro

Audios da Rádio Mundial 860

Comentários

  1. Felipe Oliveira13/8/12 22:46

    A Rádio Mundial 860 AM tinha faixa de OT de 49M,4825 KHz!!!

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  2. OUÇAM A MUNDIAL NO SITE http://mundiriofm.wixsite.com/mrfm

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