Repórter Aéreo - O Trânsito visto de cima

Revista Veja Brasil - Rio de Janeiro (Alessandra Medina)
Jornal Laboratório da FACHA (Fernanda Nagaoka e Willy Rangel Participação: Professor Marcus Vinícius)

Todos os dias, a caminho do trabalho, da escola, da viagem, seja na ida ou na volta, ao se deparar com aquele engarrafamento, principalmente quando se está atrasado, milhares de pessoas recorrem às rádios, onde buscam informações sobre a situação do trânsito.

GenilsonDe segunda a sexta, o jornalista Genílson Araújo chega pontualmente às 6h30 ao Heliporto do Recreio. Estaciona sua moto no hangar e em seguida embarca no helicóptero Robinson R22, uma acanhada aeronave de 6,57 metros de comprimento por 2,72 metros de altura, com capacidade para duas pessoas. A 150 metros do chão e a uma velocidade máxima de 180 quilômetros por hora, ele monitora as principais ruas, avenidas e estradas do Rio. Nos horários de pico, das 7 às 9 horas e das 17h30 às 19 horas, emite ao vivo mais de trinta boletins nas rádios CBN, Globo AM e Beat 98. Com 49 anos de idade e dezenove de profissão, Araújo é o repórter aéreo mais experiente da cidade. Acumula mais de 12.000 horas de vôo – ou 500 dias ininterruptos no ar.

Cada emissora tem sua própria linguagem uma vez que cada uma delas visa atingir um público diferente. “A CBN é uma rádio formal e utiliza o discurso coloquial, mas não coloquial culto. Se a audiência fosse medida, com certeza, mostraria que a maioria dos ouvintes do repórter aéreo da CBN estariam dentro dos seus automóveis e os da Beat 98, não, por ser uma rádio mais popular. Na Beat 98, por exemplo, o discurso é mais solto e mais leve, com gírias e termos que o povo usa no dia-a-dia. A Globo AM tem um perfil intermediário porque tem um público bem diversificado”, conclui Genilson.

O repórter aéreo, regularmente falando, com dias e horários, surgiu em 1988, na Rádio Jornal do Brasil, a JB AM, no Rio. Um ano depois, Genilson foi convidado a ser repórter aéreo, mas como substituto. Genilson fez três vôos para adaptação, todos bem-sucedidos, já que uma vez voou em um helicóptero de transporte de tropas porque foi fuzileiro naval. Também fez alguns testes de locução e ficou pronto para entrar no ar quando a rádio precisasse. “Não fui muito empolgado porque, na verdade, não queria ser repórter aéreo. Afinal era jornalista, estudei para isso, queria entrevistar e fazer matérias”. Uma semana depois, Genilson foi chamado para assumir definitivamente a função.

Além dele, outros dois profissionais têm o mesmo ofício na cidade.
Carlos Eduardo
O jornalista Carlos Eduardo Cardoso, de 43 anos, nascido na Lapa RJ, há quatro é responsável pelas informações sobre o trânsito nas rádios JB FM e FM O Dia;
Carlos Eduardo Cardoso iniciou a carreira jornalística há 23 anos, como estagiário da antiga rádio Manchete AM. Cobria então o setor de trânsito instalado numa central de táxi, pegando as informações enviadas pelos motoristas da cooperativa.


André Liatzkowski

O piloto-repórter André Liatzkowski, de 32 anos, faz a cobertura para a Paradiso FM e a Mix FM desde 2004. Paulista de Santo André, Liatzkowski começou no ramo por acaso. No início, era piloto de um jornalista, até que o parceiro saiu e ele assumiu o posto. "De engarrafamento eu entendo. Em São Paulo é muito pior", diz.


A tarefa dos três, fundamentalmente, é alertar sobre os congestionamentos e sugerir caminhos alternativos aos motoristas.
Do alto, eles podem aferir de forma privilegiada a expansão da cidade, seja a ocupação das encostas, seja o crescimento da região da Barra da Tijuca e do Recreio. Não faltam histórias emocionantes e de aperto durante o trabalho.
Graças à posição privilegiada, o trio vira e mexe testemunha situações insólitas, fora do campo visual de quem está no chão. "No verão, muitas mulheres gostam de tomar sol mais à vontade, digamos assim, na cobertura", conta Araújo. Há episódios menos divertidos. "Certa vez, um grupo fechou a Rua São Francisco Xavier, na Tijuca, para protestar", lembra Cardoso. "O carro da polícia veio na contramão e um segundo depois, sem exagero, a pista já estava vazia." É por cenas como essas que, além de uma garrafa de água, eles carregam sempre uma câmera fotográfica. Não raro algum registro feito por um deles estampa a primeira página dos jornais.

Genilson
Pescadores resgatando um balão peão que caiu na
Baía de Guanabara. Ao fundo, a ponte Rio-Niterói.


Liatzkowski
A praia do Leblon coberta por um nevoeiro


Carlos Eduardo
Uma baleia perdida no mar da Barra da Tijuca

Cardoso aproveita seu tempo no rádio para dar aos motoristas dicas que vão além dos pontos de engarrafamento. "Em dias de chuva, quando vejo uma grande poça d’água, sugiro que trafeguem devagar pela direita para não molhar os pedestres." As recomendações de Liatzkowski são menos cívicas. "Quando tem um carro de uma mulher bonita enguiçado, aviso à galera que vale a pena parar para ajudar", conta. Ele jura que dá para avaliar a beleza da moça a 150 metros de distância. "Mas só faço isso na rádio Mix, que é voltada para o público jovem."

Comentários

  1. genilsom araujo e querido por todos nos radio amadores e com certeza quem converçar com essa pessoa tao brilhante jamas esquece

    eu desejos tudo de bom para ele e o nosso comandante do helicoptero que cuida da segurança do nosso ilustri amigo bjos e abraços para todos da equipe......

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