A JB AM em minha Vida (Alexandre Otero)

Morei na rua Flamínia de 1961 até 1970 e passei perto algumas vezes daquela emissora quando criança na busca de doces de São Cosme e São Damião. Tenho alguns fatos interessantes para contar:

1- Conheci o saudoso locutor Majestade quando ele estava chegando em seu belo
Impala para trabalhar. Eu era um garoto ainda e ele foi simpático com os que ali
estavam a admirá-lo. Já o tinha visto na tv Globo, acho que no "Jornal de Vanguarda". Alguns anos depois soube da sua morte, que ocorreu no interior de seu carro dentro de um túnel (sentiu-se mal, encostou o veículo e ali foi encontrado). A tv Globo na ocasião prestou-lhe homenagem com um belo texto gravado por ele mesmo em que fazia referência a modos simples de morrer. Nesta
época já o ouvia na também saudosa Rádio Mundial 860.

2- Soube da morte de um técnico que estava fazendo manutenção na torre transmissora (moradores próximos disseram que houve o ligamento indevido do transmissor na ocasião do serviço).

3- Até hoje tenho uma radio-vitrola Philips que foi do meu falecido pai. Eu estava com uns 5 anos e morava há poucos meses ali perto; a tv pifou e meu pai passou a ouvir a JB pela noite, e mostrou-me o quão forte era o sinal da rádio ali captado, a ponto de fechar totalmente o "olho mágico" do receptor, o que não acontecia com as demais emissoras. Passei então a interessar-me por rádio.

4- Um dia, já com uns 10 anos, levei enorme susto quando estourou uma chispa de um raio que passou pelo basculhante do banheiro quando eu estava tomando banho. Saí correndo pelado e chorando, e fui aos meus pais na cozinha. O mesmo também tinha acontecido com eles lá, mas ninguém se feriu. Soubemos depois que aquilo foi consequência de um raio que caiu no para-raio da torre.

5-Aos 14 anos (1970) eu já mexia com rádios. Estava ajustando as bobinas de FI de ouvido num rádio transistorizado e ouvindo a JB AM como guia; a JB ora ficava fraca, ora distorcia e apitava e eu não conseguia um ajuste legal. Pouco depois soube que estavam em testes de Magé. Vi de casa a desmontagem da torre de transmissão .

Escutei e gravei muito desta emissora de 1976 a 1979. Em 1980 visitei seus lindos estúdios na então sede na Av. Brasil e lá fui muito bem recebido pelo Elmo Rocha (chefe dos operadores), que explicou todo o equipamento. Conheci alguns operadores bacanas e os locutores da época: Wiliam Mendonça, Fernando Mansur, Luiz Carlos Saroldi e a Maravilha Rodrigues (linda voz). Revi os locutores Eládio Sandoval, na então Rádio Cidade FM e o Orlando de Souza (grande vozeirão), já os conhecia da também finada Rádio Eldorado AM 1180 Khz, quando do meu estágio no Sistema Globo de Rádio em 1974.
Eram três rádios no 7° andar: JB AM, JB FM e CIDADE FM. Todas elas tinham na época um padrão de equipamentos, inclusive na disposição dos mesmos, o que facilitava em muito a operacionalidade: mesas Gates estéreo de 10 canais, cartucheiras Gates para dois tamanhos de cartuchos Phidelipac, gravadores/reprodutores de rolo Ampex, microfones Newman, etc. Pena que não tirei fotos (acho que não permitiam).
Em 1981 houve uma reformulação estrutural, onde os locutores passaram também a operar (ouvia-se até os clics das chaves e botões), e os operadores foram dispensados, o que tirou um tanto do brilho. O recém falecido Eliakim Araújo aguentou por pouco tempo nesse esquema.
É muito triste ver hoje aquele prédio onde foi outrora uma grande e valiosa empresa. Quando escuto as fitas por mim gravadas, ainda sinto a energia super positiva daquelas emissões e de tudo que diz respeito à elas.

Ouvi e gravei muitos programas "Noturno". Assisti a gravação de um programa quando em visita aos estúdios em 1979. O Luiz Carlos Saroldi fazia perguntas e comentários a um artista que não estava no momento. Logo entendi que tal programa iria ao ar gravado e editado (a parte do artista já estava gravada em outra fita e seria feita a montagem pelo sonoplasta).
Escrevi algumas vezes para o referido programa para elogiar e pedir músicas que queria gravar e não conseguia divido ao meu trabalho. Fui sempre atendido! Só me restou uma gravação onde o Luiz comenta sobre uma carta minha (1979).

Saudosa Rádio Jornal do Brasil AM - Alexandre Otero

Comentários