Big Boy

The Big Boy Show - parte 1


Big BoyBig Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte (1 de junho de 1943 - 7 de março de 1977), foi o mais importante disc jockey de sua época, responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro.

Como locutor, introduziu uma linguagem jovem, mais próxima do público que o ouvia. Seu "hello crazy people!", a maneira irreverente como saudava os ouvintes, tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente da voz empostada dos locutores de então. Como programador, demonstrou extrema sensibilidade ao captar o gosto do público, observando as tendências musicais ao redor do mundo e inovando a partir de idéias que modificariam todo um sistema de programação estabelecido.

Apaixonado por música desde a infância, iniciou uma coleção que chegou a 20 mil discos ainda adolescente, manifestando preferência pelo rock, o então novo ritmo americano que conquistou os jovens no mundo todo. Também costumava "peregrinar" na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro - a rádio que apresentava a programação mais atualizada na época - procurando manter contato com os programadores e outros aficionados por rock em busca de informações e de uma oportunidade profissional - seu sonho desde então que procurou alcançar com obstinação. A oportunidade finalmente surgiu quando foi convidado para substituir um programador que entrara em férias. Assim, não hesitou em interromper a carreira de professor de geografia para tornar-se radialista.

Mais tarde foi convidado para participar de uma bem-sucedida tentativa de reformulação da Rádio Mundial AM, que se tornaria a rádio de maior audiência entre o público jovem do Rio de Janeiro. Foi ali que iniciou sua atuação como DJ, ganhou o apelido de Big Boy e criou o estilo inconfundível que continua até hoje influenciando locutores - inclusive das modernas rádios FM, cujas programações muitas vezes ainda seguem os moldes de seus programas. Com sua voz alegre e postura informal, complementava as músicas que tocava com informações "quentes" sobre o mundo do disco, impondo uma dinâmica irresistível ao programa; tudo isso sem perder o jeito de fã dos artistas, o que o aproximava ainda mais dos ouvintes.

Big Boy também pode ser considerado o primeiro "profissional multimídia" do show business brasileiro. Programador e radialista eclético, diversificava sua atuação mantendo como elo de ligação a paixão pela música contemporânea nos seus diversos segmentos e movimentos. Além de manter dois programas diários na Rádio Mundial, Big Boy Show e Ritmos de Boite, um na Rádio Excelsior de São Paulo e um semanal especializado em Beatles, o Cavern Club, também na Mundial, atuava como programador, colunista em diversos jornais e revistas, produtor de discos e DJ dos Bailes da Pesada, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul e black music, principalmente na Zona Norte do Rio de Janeiro. Em televisão, inovou ao apresentar em sua participação diária no Jornal Hoje da TV Globo, pela primeira vez, film clips com músicas de sucesso do momento. Em seu programa Papo Pop, na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda. Foi também o responsável pela implantação do projeto Eldo Pop, no início das transmissões em FM no Brasil. A lendária rádio (antiga Eldorado FM), especializada em música progressiva, visava contemplar um público restrito mas altamente especializado em seu gosto musical e que encontrava ali um veículo de expressão da autêntica música de vanguarda.

Ao longo de toda sua vida profissional, Big Boy continuou ampliando sua coleção. Em diversas viagens a outros países apurou seu acervo, buscando raridades como "discos piratas" de tiragens limitadíssimas. Ao morrer havia juntado cerca de 20 mil títulos, entre LPs e compactos, na maioria importados, que abrangem diversos gêneros musicais como rock, jazz, soul music, rock progressivo, musica francesa, trilhas sonoras de filmes, orquestrais, etc. Como um todo, a discoteca Big Boy constitui-se num acervo cultural importantíssimo, pois retrata vários períodos do cenário discográfico mundial e, mais do que uma coleção, trata-se da síntese do trabalho de um profissional que ousou inovar.

Morreu sufocado por um ataque de asma, num quarto de hotel em São Paulo.

==Discografia==' LPs onde Big Boy selecionava o repertório e gravava locuções e vinhetas que eram mixadas às faixas, recriando uma parte do repertório tocado nos Bailes da Pesada:

* Baile da Pesada" (1970);
* Big Baile" (1971);
* Baile da Cueca" (1972);
* The Big Boy Show" (1974).

posted by DJ-Brazil 11/8/2007 http://merlinusesamantha.blogspot.com

The Big Boy Show - parte 2

O ex professor de geografia Newton Alvarenga Duarte, um aficionado por rock n’roll, grande colecionador de discos de vinil e freqüentador assíduo da radio Tamoio no Rio de Janeiro - emissora essa que apresentava a programação mais atualizada da época -não imaginava que suas visitas atrás de uma oportunidade profissional iriam revolucionar a rádio brasileira.
Quando finalmente a oportunidade de substituir um programador da Tamoio que entrava em férias surgiu, Newton não pensou duas vezes, largou o magistério para fazer aquilo que sentia que seria seu futuro. Após algum tempo na programação da Tamoio Newton foi convidado para participar de uma bem-sucedida reformulação da Rádio Mundial AM, que logo se tornaria a maior audiência entre o público jovem do Rio. Nesse momento nascia o lendário Big Boy, já como Dj e apresentador criou diversões bordões que entrariam para a história da radiodifusão brasileira. No comando de 3 programas diários - Cavern Club, Big Boy Show e Ritmos de Boite - logo consagrou o estilo descontraído e completamente informal que usava, seguido de uma voz aguda, quase como se encarnasse um novo personagem e muitas gírias, coisa que nenhum outro apresentador usava até então – esse estilo continua influenciando FM’s por todo território nacional -. A dinâmica do programa era o ponto alto, a peteca nunca caía e o jeito de fã com que Big Boy falava dos artistas apenas o ajudava a se aproximar de seu público.
Fã de alguns compadre de outros, Big Boy dizia ser amigo de James Brown, de um dos integrante dos Beatles e dos Rolling Stones. Segundo dizem foi essa amizade além da proximidade com pilotos de avião e outros contatos que o radialista mantinha a 7 chaves que permitia com que ele sempre estivesse na vanguarda do que rolava no exterior em termos musicais. Pra você ter uma idéia, numa época que não havia internet, nem cd, nem mp3, etc, Big Boy conseguia fazer o lançamento de discos paralelamente ao seu lançamento no exterior. Uma coisa praticamente impensada na época.
Logo veio o Baile da Pesada e o sucesso do locutor só aumentava, trazendo para os bailes as primeiras cápsulas magnéticas com agulha de diamante ele imprimiu uma espécie de selo de qualidade a sua equipe que nenhuma outra tinha, assim, multidões dançavam com as novidades que saíam pulsando a todo volume das caixas de som. A soul music era o carro chefe dessas festas e rapidamente mais de 400 equipes de som se espalharam por todo o país, equipes como Black Power, Vips, Petru’s e Dynamic Soul entre outras tantas animavam festas em Porto Alegre, na Baixada Fluminense e em São Paulo, afinal, essa era a onda do momento. Big Boy continuava sendo o mais respeitado e escutado DJ do Brasil e com seu acervo pessoal de 20.000 discos mantinha sua equipe, O Baile da Pesada como top de linha. Uma das características principais dos freqüentadores dos Bailes da Pesada eram as seguintes: cabelo Black Power, óculos escuros, gravata borboleta, bengala, calça boca de sino e o tão comentado sapato cavalo de aço.
Um evento que merece registro foi o realizado no dia 19 de junho de 1977 (pouco antes de sua morte), no G.R.E.S. Império Serrano, onde a 3ª Caravana do Soul Music, que reuniu Tony Tornado, Soul Grand Prix, Dynamic Soul, Boot Power, Ademir Lemos e Mosieur Limá. Nesse evento Big Boy lançou no Brasil o filme Wattstax, e também vídeos inéditos de James Brown, Marva Withney e Barry White.
Além de seu trabalho nos bailes e na rádio Mundial, o “multimídia” Big Boy também mantinha um programa semanal na Rádio Excelsior em São Paulo, atuava como colunista em diversos jornais e revistas e era produtor de discos (possuí coletâneas de sucessos da época lançadas com seu nome). Na televisão era responsável pela parte dos clip-films (filmes feitos pelos artistas internacionais para divulgar suas gravações novas) dos programas de TV "Fantástico" e "Sábado Som". Em seu programa Papo Pop na TV Record de SP, lançou grupos brasileiros de vanguarda, além de ser também o responsável pela implantação do projeto Eldo Pop (antiga Eldorado FM) no início das transmissões em FM no Brasil. O curioso da Eldo Pop é que não havia locução, nem os nomes das músicas eram dados. Era uma rádio em que diferentemente da Mundial tocava muito rock progressivo, lisergia pura.
Big Boy nasceu no primeiro dia de junho de 1943 e morreu no dia 7 de março de 1977, sozinho, num quarto de hotel em São Paulo aos 33 anos. Não se sabe ao certo se a causa de sua morte foi um infarto ou asfixia causada por um ataque de asma. Fato é que Big Boy partiu cedo demais e ninguém pode quantificar ao certo a fundamental influência que ele teve sobre toda a rádio brasileira, além é claro de ter sido pioneiro no esquema de equipes de som no Brasil.

Postado por (Lao "El Nacho" Cabrera)

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