Rádio Cidade do RJ - 102,9 Mhz #Cap.5


Minoria pseudo-roqueira quer Rádio Cidade no Rock

A Rádio Cidade havia abandonado a conduta pseudo-roqueira em abril de 1998. Estranhamente, porém, os programas "roqueiros" da Rádio Cidade voltam aos poucos, ainda em 1998, por pressão dos poucos "roqueiros" residentes nos condomínios fechados da Barra da Tijuca, que segundo informações de bastidores usavam da Internet para impor a volta do perfil pseudo-roqueiro. O "Cidade do Rock" é o primeiro que volta, para depois voltarem "O Baú do Rock" e outros, até culminar na programação normal.

Era duvidoso o engajamento deste público, que nunca lutou com perseverança para evitar a venda da Fluminense FM para a Jovem Pan Sat, apenas reagindo de forma tímida e sem conseqüências práticas. E nem reivindicava uma rádio de rock de qualidade, se contentando em ver locutores "engraçadinhos" empastelando e desmoralizando literalmente a cultura rock.

A equipe da Jovem Pan Sat, nos bastidores, até ridicularizava o público roqueiro, menosprezando sua força, e o imobilismo dos alternativos, que em 1995 foram tomados pela utópica esperança da Rádio Cidade, antes o mais típico sinônimo de "paradas de sucesso", vir a ser uma emissora alternativa, só fez agravar a situação nos dois lados. Assim, quem curtia dance music, não podia ouvir na Jovem Pan Sat senão aquelas músicas de batida acelerada feitas para freqüentadores de academia aeróbica, assim como quem ouvia rock na Rádio Cidade não escapava do monopólio das bandas "farofa" e dos sucessos mais manjados.

A Rádio Cidade nem era exatamente carismática. Apenas dois programas eram elogiados pelo seu público, o "Baú do Rock" e o "Cidade do Rock", respectivamente apresentados em 1997 por Adriana Riemer (bela locutora de estilo pop que fez muito sucesso nos anos 80 e hoje trabalha como produtora de eventos) e Monika Venerabile.

Fora as duas locutoras, os demais locutores da Cidade se limitavam a receber uma tietagem alucinada de fãs pseudo-roqueiras - uma ala de ouvintes que se comporta igualmente a qualquer fã dos Backstreet Boys e se identifica mais com Skank, Cidade Negra e Bon Jovi do que de tendências mais radicais do rock, embora, por modismo, se julguem também "fãs" de heavy metal melódico - , como o locutor Rhoodes, um típico protótipo do "mauricinho musculoso e engraçado" que atualiza o perfil do "locutor gostosão e bonitão" abominado pelos roqueiros autênticos mas que, no caso da Cidade, acabou prestando péssimo serviço ao radialismo rock. Rhoodes recebia recados de fãs querendo beijá-lo na boca, numa tietagem digna das mais melosas admiradoras dos Backstreet Boys.

O playlist geral só entusiasmava a "galera farofa", por causa de músicas que eles curtiam apenas pelo aspecto do agito e da catarse, ou seja, a chamada "música pra pular". Independente da qualidade ou não das bandas envolvidas, era esse o aspecto que era considerado pelos ouvintes radicais da Cidade. Sejam Raimundos, Planet Hemp, ou Charlie Brown Jr., Mamonas Assassinas e, de estrangeiros, Guns N'Roses, Nirvana e Offspring, a qualidade musical era pouco considerada por eles, em relação à agressividade rítmica e sonora das músicas, classificada por esse público como "sonzeira".

Assim, o "engajamento" dos ouvintes da Cidade para que ela continue na sua linha "roqueira", mesmo se comprovada sua incompetência, pode ter vindo de uma estratégia de uma minoria. Segundo esta hipótese, os jovens, aproveitando o anonimato favorecido pela Internet, publicavam mensagens apelativas na página de recados da Rádio Cidade, cujos mecanismos garantem o uso irrestrito de pseudônimos e falsos e-mails. As mensagens eram iguais entre si, frases curtas e sem argumentos lógicos, algo como "Eu quero é ROCK", "ROCK ROCK ROCK ROCK" e "quem gosta de dance é gay".

Outros, mais ousados, criavam e-mails se inscrevendo com pseudônimos em provedores da Internet, que não reservam informações pessoais no cadastro de clientes. Além desses, outros ousavam mandar cartas com endereço falso, telefonavam usando desde a própria voz até vários falsetes de diversos orelhões do Rio e tudo isso para forjar uma falsa idéia de que uma "legião imensa de roqueiros" quer que a Cidade se mantenha no rock.

Lia EasterDe acordo com esta hipótese, a rádio acreditou no trote dos ouvintes e atendeu o pedido deles, no final do ano de 1999. Uma ex-locutora da Fluminense FM de 1991-1994, Lia Easter, foi convidada para a coordenação. José Roberto Mahr, apresentador do "Novas Tendências", voltava para a Cidade apenas como produtor do "Radar", apresentado por um locutor de estilo pop dance, apesar do repertório de rock um pouco mais alternativo. O programa dura alguns meses, sem muito sucesso, e Mahr, saindo da Cidade, apresenta o "Clubtronic" na Jovem Rio, no incômodo horário da meia-noite.

José Roberto MahrEm julho de 2001, o "Clubtronic" é extinto, pois Mahr é convidado para trabalhar como produtor na volta da programação roqueira da Fluminense FM, a princípio nos 540 khz da Fluminense AM, uma antiga rádio do Grupo Fluminense de Comunicação existente desde os anos 50 e que havia saído de sua fase evangélica de 1992 a 2001. A dobradinha Lia Easter / José Roberto Mahr continua, mas é este que passa a coordenar a programação da Fluminense AM, que migraria para sua freqüência original em 02 de agosto de 2002, com um desempenho que, no entanto, declinou para o fim por causa dos interesses financeiros imediatistas do dono da Fluminense, Alexandre Torres.

A Rádio Cidade, naquele período de dezembro de 1999 a maio de 2000, adota uma linha politicamente correta, com eventuais inserções de rock autêntico em meio ao chamado "rock farofa". Mesmo assim, a atuação é abaixo do minimamente decente, ainda amarrado nos greatest hits do rock autêntico e a presença dos locutores pop irrita os roqueiros e a emissora não consegue ter a repercussão desejada, que leva a crer de que a chamada "imensa legião de roqueiros" não passou de uma minoria de fanáticos que nunca ouviram a fase áurea da Fluminense FM e queriam ver a Rádio Cidade tocando rock a todo custo, mesmo com programação medíocre.

PS: Todo o material foi recolhido em sites da internet desconhecendo-se a autoria.

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